Guia para psicólogos

Prontuário psicológico: o que registrar e por quanto tempo guardar

O que a Resolução CFP 001/2009 pede em cada registro, a diferença entre registro documental e prontuário, um modelo de evolução de sessão e as regras de sigilo e guarda.

Por André Ferreira, desenvolvedor do ClínicaSys Pro Atualizado em 30 de setembro de 2026 Leitura: 6 minutos

Resumo: a Resolução CFP nº 001/2009, atualizada pela 05/2010, obriga o registro documental de todo serviço psicológico, em papel ou no computador. O registro deve trazer a identificação do paciente, a demanda e os objetivos, a evolução do trabalho, o encaminhamento ou encerramento e cópias dos documentos emitidos. A guarda mínima é de 5 anos. Em serviços de saúde, os prontuários seguem a Lei 13.787/2018, que prevê 20 anos.

Todo psicólogo precisa registrar o próprio trabalho. A regra vem da Resolução CFP nº 001/2009, atualizada pela Resolução CFP nº 05/2010, e vale para consultório particular, clínica, atendimento online e serviços de saúde.

O objetivo do registro não é transcrever as sessões. A resolução pede um conjunto de informações que mostre, de forma sucinta, o trabalho prestado, a evolução e os procedimentos técnico-científicos adotados.

1. Registro documental x prontuário psicológico

A resolução prevê duas formas de registro. Os dois são sigilosos e têm o mesmo conteúdo básico, mas mudam em quem pode acessar.

Registro documentalProntuário psicológico
Quem acessaO psicólogoO psicólogo e o paciente, que tem acesso integral ao que foi registrado
Quando usarQuando há restrição para compartilhar informações com o pacienteComo forma preferencial de registro
Serviço multiprofissional—Prontuário único da equipe, só com o necessário para o trabalho

Em clínica multiprofissional, a resolução pede prontuário único. Nele o psicólogo registra apenas o que a equipe precisa saber para cumprir os objetivos do atendimento.

2. O que registrar

O artigo 2º da Resolução CFP 001/2009 lista o que os registros devem contemplar:

  1. Identificação do usuário ou da instituição. Nome, contato e, se for o caso, dados do responsável legal.
  2. Avaliação de demanda e definição de objetivos. Por que a pessoa procurou atendimento e o que o trabalho pretende alcançar.
  3. Evolução do trabalho. Registro que permita acompanhar o processo e os procedimentos técnico-científicos adotados.
  4. Encaminhamento ou encerramento. Quando e por que o atendimento terminou ou foi encaminhado.
  5. Material de avaliação psicológica. Documentos resultantes de testes e instrumentos ficam em pasta de acesso exclusivo do psicólogo.
  6. Cópias dos documentos emitidos. Declarações, atestados e relatórios, com data de emissão, finalidade e destinatário.

3. Modelo de evolução de sessão

Uma evolução curta e padronizada é suficiente. Ela deve permitir que você, ou outro profissional autorizado, entenda o andamento do trabalho sem expor detalhes além do necessário.

Exemplo: "Sessão 8, presencial. Trabalhados conflitos no ambiente de trabalho e estratégias de comunicação. Utilizada técnica de reestruturação cognitiva. Paciente relata melhora na qualidade do sono. Próxima sessão: retomar metas definidas na sessão 5."

4. Documentos que o psicólogo emite

A Resolução CFP nº 06/2019 define as modalidades de documentos psicológicos. Toda cópia deve ir para o registro, com data, finalidade e destinatário.

DocumentoPara que serve, em linhas gerais
DeclaraçãoInforma comparecimento ou acompanhamento, sem descrever sintomas ou condições
Atestado psicológicoComunica o resultado de uma avaliação psicológica
Relatório psicológico ou multiprofissionalComunica a atuação profissional em um serviço
Laudo psicológicoApresenta o resultado de um processo de avaliação psicológica
Parecer psicológicoResponde tecnicamente a uma questão específica

O CFP publicou um manual orientativo de registro e elaboração de documentos psicológicos, com estruturas e exemplos de cada modalidade. Vale consultar antes de emitir um documento que você não costuma fazer.

5. Sigilo e prazo de guarda

6. Atendimento online

O atendimento mediado por tecnologias digitais é regulamentado pela Resolução CFP nº 09/2024. O registro da sessão online segue as mesmas exigências do presencial. Anote a modalidade na evolução e cuide para que a plataforma de vídeo e o local de armazenamento preservem o sigilo.

7. Erros comuns

8. Prontuário eletrônico para psicólogos

No sistema para psicólogos do ClínicaSys Pro, cada profissional entra com login individual e vê apenas os próprios pacientes. A evolução fica datada no histórico, os pacotes de sessões são controlados automaticamente e declarações e recibos saem do mesmo cadastro.

Quer ver um prontuário sigiloso na prática? Cada profissional acessa só os próprios pacientes, com login individual.

Perguntas frequentes

O psicólogo é obrigado a fazer prontuário?

O psicólogo é obrigado a manter registro documental de todo serviço prestado, pela Resolução CFP nº 001/2009. O prontuário é uma das formas desse registro, na qual o paciente tem acesso integral às informações.

Por quanto tempo o psicólogo deve guardar o prontuário?

A Resolução CFP 001/2009 fixa no mínimo 5 anos a partir do último registro. Em estabelecimentos de saúde, a Lei 13.787/2018 estende a guarda de prontuários para 20 anos. Confirme com o seu Conselho Regional qual prazo se aplica ao seu caso.

O paciente pode pedir para ver o prontuário psicológico?

Sim. Quando o registro é feito em forma de prontuário, a resolução garante ao usuário ou ao seu representante legal acesso integral às informações registradas.

O prontuário psicológico pode ser eletrônico?

Sim. A Resolução CFP 001/2009 aceita registro em papel ou informatizado, desde que sigiloso, atualizado e guardado em local que garanta privacidade.

O que escrever na evolução da sessão de psicologia?

Registre de forma sucinta a data, a modalidade, os temas trabalhados, as intervenções usadas, observações relevantes e o planejamento. Evite transcrever a sessão.

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